Estamos passando por um ano difícil, onde a produtividade vai cair. Mas precisamos manter pelo menos uma média sustentável e conseguir voltar a atividade com menos machucados.
O Rio Grande do Sul geralmente sofre com estiagem. Para amenizar os danos, o produtor precisa criar estratégias de melhoria do solo para armazenar o máximo de água no perfil, pois ele guarda o manejo em sua memória e a cada ano ele devolve o seu cuidado em produtividade sustentável. Mesmo em um ano difícil podemos colher mais nas áreas onde temos um maior cuidado.
O plantio das culturas intercalares (plantas de cobertura) é muito importante para a qualidade química, física e biológica do solo. Esse processo visa o aumento da introdução de palhada e a melhoria dos condicionantes de solo e irá entregar para a próxima cultura um potencial produtivo maior e uma chance de produzir mais, mesmo em uma ambiente de stress por falta de água.
Com isso, queremos aumentar a capacidade do solo de absorver e reter água para devolver a planta quando ela precisar.
O Rio Grande do Sul possui duas janelas muito importantes para as plantas de cobertura.
No verão, após as colheitas dos cereais, podemos plantar: milho, sorgo, milheto, capim de sudão entre outras culturas. Essas são plantas que produzem um alto volume de massa de carbono e devolvem isso num curto espaço de tempo para o solo.
Visando a proteção do solo e rendimentos de cultivo, no inverno podemos plantar: trigo, cevada, centeio, aveia, nabo e a ervilhaca. Essas são plantas de cobertura que tanto ciclam nutrientes quanto protegem o solo.
O solo possui um bom perfil quando ele é bem estruturado com "galerias" produzidas pelas raízes. Cada vez que as raízes da planta de cobertura conseguem construir um sistema articular temos uma construção de bioporos. Ele é tanto um caminho para a água, quanto um caminho para nutrientes e corretivos de solo.
Com o trabalho de ano após ano o produtor consegue construir um ambiente mais produtivo e sustentável para colher os frutos em um ano adverso.