ORÇAMENTO
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08/03/2019
Refrigerantes perdem espaço para sucos de uva no RS

Mais da metade da safra de uva que está sendo colhida no Rio Grande do Sul será destinada para produção de sucos. Nos últimos anos, o mercado da bebida cresceu em média 25% ao ano — puxado principalmente pela crescente preocupação dos consumidores em adotar hábitos mais saudáveis.

Não por acaso, os sucos mais vendidos são os naturais e integrais, com 100 milhões de litros comercializados anualmente, segundo o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). Apenas de janeiro a setembro de 2018, a categoria cresceu 37%, comparado ao mesmo período do ano anterior.

— A população está consumindo produtos mais naturais, que ofereçam benefícios à saúde, os quais são comprovados em estudos científicos — reforça Oscar Ló, presidente do Ibravin.

Outro fator positivo, segundo o dirigente, é a variedade da bebida oferecida em versões tinta, branca e rosé — além da versatilidade das embalagens, como caixinhas, garrafas de vidro e bag in box de três litros.

Nos supermercados gaúchos, a bebida à base de uva representa 30% de todo o faturamento de sucos líquidos.

— Há uma década, o percentual não passava de 10%. É um produto que ainda tem um espaço enorme para crescer — avalia Antônio Cesa Longo, presidente da Associação Gaúcha de  Supermercados (Agas).

A maior procura pela bebida é percebida também em bares e restaurantes do Rio Grande do Sul, onde os refrigerantes aos poucos estão sendo substituídos por sucos naturais.

— A migração é visível entre os clientes. E a substituição se dá principalmente com o suco de laranja ou o de uva integral — relata Maria Fernanda Tartoni, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Estado (Abrasel-RS).

 

O apelo da bebida se dá também pela questão local,  diz Maria Fernanda, já que a grande maioria dos sucos de uva é produzido na Serra:

— Os turistas, ou mesmo o cliente daqui, valorizam muito os produtos locais.

RS produz 90% da bebida   

O Rio Grande do Sul é responsável por 90% da elaboração de sucos de uva no país. Ao todo, mais de 15 mil famílias gaúchas estão envolvidas no cultivo, principalmente na serra gaúcha. O perfil das propriedades é 100% de produtores familiares, segundo dados do Ibravin.

A industrialização do produto, concentrada em vinícolas de médio e grande porte, começou a ganhar espaço também em cantinas familiares, como alternativa de agregação de valor da produção e de renda.

O suco de uva poderá ganhar incentivo ainda maior de mercado se for incluído no regime da cesta básica do ICMS, o que poderá facilitar o acesso da população e a inclusão do produto na merenda escolar da rede pública de ensino. A proposta formatada pelo setor vitivinícola, reivindicada há anos, é apoiada por entidades supermercadistas de todo o país.

— Se o produto receber esse incentivo, o consumo irá deslanchar ainda mais — prevê Antonio Cesa Longo, presidente da Agas.

 

Entenda as diferenças

  • Suco de uva: 100% (naturais, integrais e reconstituídos): 100%  de fruta, sem adição de açúcar, água, corantes ou aromatizantes.  

  • Néctar: 50% de uva, diluído em água e adoçado.

  • Bebida/refresco: 30% de uva, diluído em água e adoçado, podendo ser colorido e aromatizado artificialmente.

  • Em pó: pode não conter uva em sua composição.

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